sábado, 21 de maio de 2011

Enquanto houver vela


Ambiente agradável, música lenta, luz baixa, pessoas interessantes, cultura...arte pela arte, risos. Uma noite de sábado perfeita, e fria, na pequena Londres. 'Sozinha', no caminho de volta pra casa, deixei meus pensamentos perambularem por aquele ambiente aconchegante e sugestivo, aonde me deliciei assistindo um espetáculo de stand-up comedy. Como eu gostaria de ter permanecido lá...mas era tarde para andar sozinha pelas 'ruas londrinas', decidi partir. Eu nunca apreciei as tais 'baladas', nunca vi sentido nelas, não que diversão precise ter, de fato, algum sentido, mas quando pessoas passam a ser tratadas e a se comportar como apenas corpos, expostos e 'experimentáveis', isso passa do limite de não ter sentido, não sei dizer o que é...é vazio. Mas hoje foi diferente...sentada naquela sala rústica e pouco iluminada, me senti em paz. Senti vontade de estar lá mais vezes, com aquelas pessoas. Não porque quero buscar lá algo que ainda não encontrei, mas porque quero que aquelas pessoas encontrem algo que elas buscam e não encontram...não por estarem no lugar errado, mas por muitas pessoas, por pensarem que estão no lugar certo, não estarem lá. Lá. É comum chamarmos esse 'lá' de trevas. Tudo o que não é 'gospel' virou secular, sinônimo de trevas, sinônimo de pecado. Hoje descobri que as trevas não são tão abomináveis assim, é apenas ausência de luz. Trevas jamais deixarão de ser trevas se a luz não habitar no meio delas. Me parece que as muitas luzes que existem neste mundo se escondem em caixinhas. Há tantas mesas em tantos barzinhos por aí precisando de velas em seus candelabros. Sem essa luz eu sou incapaz de perceber as muitas sujeiras que estão impregnadas em mim, essa luz que vem do outro. Sem o outro é impossível descobrir quem eu sou de verdade. Eu dependo dessa luz pra tirar as trevas dia-a-dia de mim. Eu e todo o mundo. Nas igrejas, nos barzinhos. Sou vela, dependente da Luz do mundo. Luz do MUNDO, TERRA. Tenho pensado muito sobre isso, sobre a luz, que recebe o nome de luz do mundo, mas não ilumina este mundo. Tenho pensado no tal sal da terra, que não salga nada na terra.
Não sei se consegui externar meus pensamentos da maneira correta...são só mais um conjunto de idéias que passeiam em minha mente nesta noite.
Uma coisa é certa, me senti mais útil sendo luz em meio a 'ausência de luz' (trevas), do em meio a muitas luzes. Isso se repetirá? Com certeza, enquanto a chama que arde nesta vela queimar o pavil, enquanto ela estiver seguramente forte...enquanto houver vela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário